Na gruta de Belém, numa manjedoura, nasceu o Menino-Salvador, no silêncio da noite escura uma luz brilhou. Nossa humanidade nasceu novamente ali em Belém, na gruta e diante dos pastores.
Em Belém, onde Deus quis nascer, também quis que lá estivéssemos e para lá acorramos, pois queremos ver Jesus, como um dia Zaqueu correu e subiu na árvore para vê-lo ou como o paralítico que o buscava, ambos desejam na intimidade do coração ver, conhecer e encontrar com o Cristo, o esperado.
Na gruta, no lugar das entranhas da terra, mas também abrigo dos ventos fortes e das chuvas, ou do descanso de uma longa caminhada debaixo do sol quente ou das areias quentes do deserto, de lá vem o Emanuel, ‘Deus está conosco’. A luz da bondade, da gentileza, da ternura, da humildade e da mansidão que resplandece em nossos corações. Como na vida adulta, este recém-nascido, dirá: vinde todos a mim porque meu julgo é suave e meu fardo é leve e aprende de mim que sou manso e humilde de coração. (Mt. 11, 28-30)
Os pastores, na noite escura, na vigilância das ovelhas, na atenção redobrada por causa dos perigos que seu rebanho possa enfrentar, pela sua fragilidade natural, os pastores, que não estão sozinhos, por causa da noite escura, fazem com que seus olhos passem a acostumar com a escuridão para melhor enxergar o perigo, olhares e ouvidos aguçados, atentos, vigilantes.
Esta mesma atitude dos pastores, diante do presépio, são requeridas por aqueles que esperam o Senhor, por aqueles que o adoram diante do Santíssimo Sacramento, por aqueles que na Liturgia da Missa põem-se a escutar atentamento o que o Senhor quer nos dizer.
Os pastores diante do presépio são adoradores, não espectadores. Não alimentam ou cuidam das ovelhas, mas são agora, diante do presépio, consolados, agraciados e alimentados pela graça divina que nasceu e está diante de seus olhos.
Os reis magos que procuravam o rei-esperado e que eram guiados pela estrela até Belém seguiram um longo caminho e, mesmo tendo encontrado Herodes no percurso, não deixaram que o inimigo ou a escuridão, que cega a alma, os desviassem do caminho de adorar e servir ao rei-justo que nasceu.
Reis e pastores diante do Deus-Menino são chamados a permanecer com Ele. Quando Jesus disse: “permanecei em mim e eu nele, esse dará muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer” (Jo, 15, 5). Estamos diante de uma máxima de Jesus: só daremos frutos se estivermos ligados a videira (tronco).
Em um dos sermões atribuído a nosso pai São Norberto, que fundou a Ordem Premonstratense, no vale Prémontré, França, na noite de Natal conclama a todos os confrades da Ordem: “qui voluerit Christo commanere, debet, sicut ipse ambulare. Ambuletis ergo in via Dei caute. Sine his onmis substantialis virtus Ordinis penitus desolatur” (Petit, p. 293), ou seja, “aquele que deseja permanecer com Cristo deve andar como Ele andou. Andai, portanto, no caminho de Deus com cautela. Sem tudo isso, a virtude substancial da Ordem fica totalmente desolada”.
Como norbertinos e filhos da Ordem Premonstratense também vamos ao presépio encontrar e adorar a nosso Senhor Jesus Cristo, a quem servimos com zelo, amor e prontidão no Altar Sagrado da Eucaristia, pois disse Jesus: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19).

Feliz e Santo Natal!
Prior Cônego Alessandro, OPraem.
Montes Claros, 24 de dezembro de 2025

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